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sexta-feira, 12 de março de 2010

Moçambique, África paradisíaca

Moçambique, África paradisíaca

Moçambique: África paradisíaca fala português.
Mariana Bergel - 11/3/2010 - 19h37 (matéria publicada no Diário do Comércio)
 

É impossível não pensar em Moçambique sem abrir um belo sorriso. Além da beleza natural e da realidade de um país em reconstrução, o que mais marca a visita é a simpatia dos nativos. Frequentemente eles puxam conversa com os turistas, sempre sorrindo. E quando descobrem que se trata de um brasileiro, aí então ficam extasiados de alegria.
Localizado na costa oriental do continente africano e banhado pelo Oceano Índico, Moçambique fica acima da África do Sul, na altura de Madagascar. O destino vale a pena tanto para quem busca natureza como para quem quer conhecer uma cultura diferente.
O país tornou-se independente em 1975, foi palco de uma cruel guerra civil até 1992, e ainda se recupera dos traumas do pós-guerra. Uma das fortes marcas dessa tragédia pode ser observada, além da miséria latente, no fato de a população ser majoritariamente jovem.
Ainda que se esteja na África, a familiaridade com o idioma português é um facilitador aos visitantes, resultado da história de ocupação portuguesa. Há algumas diferenças de vocabulário, mas a compreensão é bastante tranquila. Os brancos e estrangeiros, por exemplo, são chamados de mulungos.
A chegada a Maputo, capital de Moçambique, já denota o quanto os brasileiros são amados por ali. Os moçambicanos acompanham todas as nossas novelas e consomem muita música brasileira, que vai de Djavan a Leandro e Leonardo. Em todo o país, nas ruas, há camelôs vendendo de tudo: tomates, alface, sapatos, CDs, roupas, balas etc.

Mariana Bergel
A bela praia de Tofo é tranquila durante o dia e agitada depois que sol se vai, com bares na areia.


As principais atrações de Maputo são o Mercado do Peixe e alguns restaurantes em que é possível se alimentar melhor do que fora da capital. A noite também é bastante agitada por lá. No entanto, é importante tomar cuidado ao circular pela cidade, pois os turistas são alvo fácil para os ladrões e a polícia. Para evitar qualquer tipo de suborno policial, é importante portar sempre uma cópia autenticada do passaporte.
Na hora das compras, vale a lógica da pechincha: os preços ofertados são sempre o equivalente ao dobro ou o triplo do valor real.
Tofo – Saindo de Maputo rumo ao norte do país, a pouco menos de 500 quilômetros da capital está a bela praia do Tofo, com o mar azul-esverdeado. Situada na província de Inhambane, é uma das preferidas dos turistas estrangeiros que se embrenham por terras moçambicanas.
Para chegar a esse paraíso é possível pegar um "chapa" (lotações) na rodoviária de Maputo, alugar um carro (lembre-se de que a condução é feita pela esquerda) ou um vôo direto de Maputo para a capital da província de Inhambane. Uma vez lá, as melhores opções de hospedagem estão na beira da praia.

Mariana Bergel
A bela praia de Tofo é tranquila durante o dia e agitada depois que sol se vai, com bares na areia.





O melhor a fazer em Tofo é descansar e admirar o visual estonteante e ainda pouco explorado da praia, que lembra o recorte de praias como Taipus de Fora, na Bahia. Durante o dia há um mercado com badulaques e artesanato local e, à noite, o Dino's Bar e o Fatima's Place oferecem música eletrônica e, às vezes, ao vivo. É uma boa oportunidade para quem quer conhecer a famosa "marrabenta", ritmo local mais difundido, que é hoje um símbolo cultural nacional.
Perto da praia do Tofo estão também as praias da Barra e Tofinho, esta última famosa por ter golfinhos. Para os amantes do mergulho, a região também é uma boa pedida. À mesa, não deixe de provar "matapa", o prato mais tradicional da culinária moçambicana. A receita leva basicamente folha de mandioca, leite de coco, camarão seco e amendoim.
O nascer do sol e o pôr-do-sol são espetáculos imperdíveis em Moçambique, especialmente quando se está no litoral. Fica fácil entender porque o pôr-do-sol na África é considerado um dos mais bonitos do mundo.

UMA ILHA QUASE DESERTA

Mariana Bergel
Indigo Bay, em Bazaruto, está entre os resorts mais cobiçados do mundo. Só 114 hóspedes e programas como passeio a cavalo.





Considerado um dos mais belos do continente africano, o Arquipélago de Bazaruto, em Moçambique, é um refúgio natural. Parte do conjunto de ilhas, foi transformado em Parque Natural Marinho em 1971.
Praticamente deserta – são  3 mil habitantes em 38 km de comprimento e 7 km de largura -, a Ilha de Bazaruto oferece muitos atrativos naturais. São lagoas com crocodilos (parece estranho, mas eles estão lá e ninguém sabe explicar o fenômeno), enormes dunas que desembocam no mar, golfinhos e um mar repleto de maravilhas marinhas para mergulhadores amadores e profissionais. Quem tem o privilégio de chegar de monomotor ao arquipélago observa do alto as águas cristalinas que permitem ver nitidamente os inúmeros corais espalhados pela região.
Para chegar a Bazaruto é preciso ir até Vilanculos, que fica a cerca de 700 km da capital  Maputo e é a cidade continental mais próxima do arquipélago. O mais indicado é fazer o trajeto de avião, já que as estradas moçambicanas estão em péssimo estado e a polícia local é bastante corrupta – não são raros os casos de multas aplicadas indiscriminadamente a turistas estrangeiros.
Entre as escassas opções de hospedagem nas duas únicas ilhas habitadas do arquipélago (Bazaruto e Benguerua), a mais luxuosa é o resort cinco-estrelas Indigo Bay, em Bazaruto. O lugar hospeda em chalés luxuosos e tem capacidade para apenas 114 pessoas. A gastronomia do resort oferece delícias como salada de lagosta e frango com piri-piri (pimenta tradicional moçambicana). Vale a pena o passeio a cavalo para ver o nascer do sol do topo das dunas.

RAIO X 





COMO CHEGAR
Os voos da South African Airways (tel. 11/3065-5115, www.flysaa.com) fazem escala em Johanesburgo, na África do Sul, antes de seguir para Maputo (distante 1h30 de voo).  Tarifas a partir de US$ 1.595 ida-e-volta. O vôo de ida e volta de Johanesburgo para Vilanculos custa U$ 347 pela LAM (www.lam.co.mz/pt).

ONDE DORMIR

Fatima's Place: Mao Tse Tung Ave, 1317, Maputo, tel. (258) 8244-5730. Próximo ao centro da capital, trata-se de um hostel bem cuidado e equipado. A partir de US$ 20 por pessoa.
Hotel Polana: Avenida Julius Nyerere, 1380, Maputo, tel. (258) 2149-1001, www.serenahotels.com. Elegante e considerado um dos melhores da cidade. Tem piscina, quadra de tênis, cassino, restaurante e um belo jardim. A partir de US$ 168 o casal, com café da manhã.
Hotel Tofo Mar: Bairro Josina Machel, Praia do Tofo, Inhambane, tel. (258) 2932-9043, www.hotel-tofomar.com. O hotel está localizado na praia, perto do centro da vila. Oferece passeios a cavalo e equipamento de mergulho. A partir de US$ 107 o casal.
Casa Barry: no topo da montanha ao leste da Praia do Tofo, Inhambane, tel. (258) 317670111. Tem charmosos chalés com vista para o mar. É a melhor opção na vila e tem um restaurante com ótimas opções. A partir de US$ 83 o casal.
Indigo Bay - Island Resort and Spa: Ilha de Bazaruto,  tel. (258) 2130-1618, www.indigobayresort.com. A cozinha, especializada em frutos do mar, é fabulosa, assim como a decoração. Em um local paradisíaco, oferece toda toda infra-estrutura de um ótimo resort. A partir de US$ 349 o casal, com pensão completa (todas as refeições incluídas, exceto bebidas alcoólicas).

ONDE COMER

Mimmo's: Avenida Salvador Allende com Avenida 24 de Julho, Maputo, tel. (258) 2149-4080. Tem pratos com frutos do mar, massas e grelhados. 
Restaurante Costa do Sol: Avenida Marginal, Maputo, tel. (258) 2145-0038. Amplo, em uma construção estilo art déco na frente da praia, fica a 5 km do centro e tem diversidade de pratos com frutos do mar. 
Mundo's: bairro Josina Machel, Praia do Tofo, Inhambane; e Avenida Julius Nyerere, 657, Maputo, tel. (258) 8443-04300, http://blog.mundosmaputo.com. Em ambiente simples, porém agradável, oferece um cardápio bem variado – de pizza a peixe do dia.

FAÇA AS MALAS

Na internet: www.turismomocambique.co.mz, www.portaldogoverno.gov.mz, www.mozambique.org.br, www.turismomocambique.co.mz.
Pacotes: pela Nascimento Turismo (tel. 11/3156-9944, www.nascimento.com.br) e a Designer Tours (tel. 11/2181-2900, www.designertours.com.br). 
Clima: a média é de 20ºC no sul do país e 26ºC no norte.
Visto: é preciso enviar o passaporte, formulário preenchido, xerox do passaporte, comprovante de hospedagem, xerox da vacina contra febre amarela, duas fotos 3×4 e o comprovante de pagamento de taxa de R$ 150 para a Embaixada de Moçambique em Brasília. Mais informações pelo www.mozambique.org.br.
Moeda: metical. U$S 1 vale 32.745 MZN.
Fuso: cinco horas a mais que em Brasília.
Vacina: contra febre amarela. Mais informações pelo site www.anvisa.gov.br.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Black Blond



Eu total black blond. Hahahahaha!!!


terça-feira, 29 de setembro de 2009

Vida Loka






Da esq. para a dir.; Seu Jorge, Mano Brown, Don Pixote e William Magalhães




Faz mais de um mês que não consigo parar para escrever aqui. Na verdade, tá difícil achar tempo pra qualquer coisa. Se liga na situação: só na Folha, estou fazendo uma página de um especial da Folhinha, uma página do especial de MBA, vou fazer um perfil para o especial do Prêmio Empreendedor Social na semana que vem e entreguei hoje a última revisão de um livro da Publifolha editado por mim e pelo Cássio. Na semana que vem entrego a capa de turismo do Diário do Comércio, que é sobre Moçambique. Voltei no final da semana passada de uma reunião no Ministério da Cultura, em que recusei uma proposta irrecusável e bati o martelo em um projeto quase utópico. Acabo de sair de uma encontro impactante com William Magalhães, Mano Brown, Seu Jorge (o mundo que se prepare para a união cada vez mais consistente desses monstros), Don Pixote e Mariana Jorge. E amanhã pela manhã tenho uma reunião para fechar mais um babado das mil e uma noites. Vida loka irmão, vida loka.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Falta tempo...



Eu e Marquinho O Sócio com as tranças feitas pelo Devasto. Ah, moleque!!!









Faz tanto tempo que não escrevo nada aqui no blog que resolvi passar só para me justificar... Na verdade, queria que ele fosse apenas um espaço para contar aos amigos o que ando fazendo e reproduzir textos de minha autoria que foram publicados em algum lugar. O problema é quando se trata de contar minha vida... O que poderia ser algo bacana passa a ser motivo pro povo que vive na oposição da vida badernar a minha ralação e ficar gorando cada passo da caminhada. Aí é foda.
Precisava fazer esse desabafo, mas a verdade é que não tenho escrito por falta de tempo mesmo. Tem sido muuuuita correria, todos os dias. São muitas frentes para dar conta e pouca Mariana pra tantas ações. Mas os aliados, apesar de poucos, são porretas. E, fazer esse tanto de coisa, ainda que eu me sinta e esteja de fato sobrecarregada, só é possível com as parcerias que viver o bem proporciona. Não dá pra contar tudo o que anda rolando, mas vem bastante coisa boa pela frente. Boto fé.

ps: quem não veio na minha festinha de aniversário perdeu a melhor balada do ano... rsrsrsrs

domingo, 12 de julho de 2009

Doa a quem doer





Eu, Marina e Giu assistindo o pôr-do-sol em Table Mountain, Cape Town, África do Sul






Quem vive na sombra não sabe o que é bom. Eu vivo no sol. Satisfação pra mim é acordar tranquila e saber que estou plantando o bem. Qualquer coisa que eu faça tem intenção positiva. Quando eu era mais nova, se me frustrava com alguma coisa, tinha logo o ímpeto de me vingar. O tempo foi passando, fui levando muito cacete da vida. Mas, a vida sempre teve muito mais coisas boas do que ruins, disso não posso me queixar. Nunca tiva a manha de colocar minhas ideias vingativas em prática; quando tentava, era um fiasco: eu mesma acabava me entregando antes de botar o plano mirabolante em ação. Ou com ele em andamento, o que é pior. Desisti dessa vibe errada. Depois de um banho de Índia e, especialmente, depois de conhecer o Dalai Lama, em 2004, entendi que a vingança é uma ilusão. Se alguém me faz algo negativo, deixo pra lá. Sabe, a vida mostra a verdade em cada esquina. Doa a quem doer.

sábado, 20 de junho de 2009

Uruguai Natural






















Estive por duas vezes no Uruguai, ambas com meu irmão. A primeira foi em 1996 _inclusive, foi também o primeiro país estrangeiro que visitei _, e a segunda, em 2006. Gostei bastante de lá, e Cabo Polonio foi o destino preferido dentre os lugares que visitei. A matéria abaixo foi publicada no caderno Turismo , da Folha de S.Paulo, em 1º de junho de 2006.

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De acesso difícil, cercada por areia, península a 260 km da capital vive sem água corrente e eletricidade

Dunas protegem charme rústico de Cabo Polonio

MARIANA BERGEL
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA,
EM CABO POLONIO




















Ainda que não seja uma ilha, Cabo Polonio vive completamente isolada. Essa península, localizada a 260 km de Montevidéu, no distrito de Rocha, é cercada por dunas que alcançam até 30 m de altura. A natureza foi generosa ao dificultar o acesso a esse vilarejo de maneira tão charmosa. Descoberto por turistas há menos de 30 anos, Cabo Polonio ainda mantém sua aura primitiva: não há luz elétrica nem água corrente.
Mas o mais importante não é sentir o que falta, e sim o que sobra: noites estreladas iluminadas pela lua e pelo farol, paisagens dominadas pelo mar cheio de lobos e leões-marinhos, baleias e aves de todos os tamanhos e um tapete de areia que se estende pelas praias a perder de vista.
Em frente ao povoado, encontra-se um grupo de três ilhas, as islas de Torres, que constituem um dos mais importantes assentamentos de lobos-marinhos da América do Sul, além de abrigarem inúmeras gaivotas. Essas ilhas também são o lugar de reprodução dos leões-marinhos. Das rochas de Cabo Polonio é possível observá-los fazendo todo tipo de acrobacia na água, e, aos pés do farol, dezenas deles se esparramam sob o sol. À noite, os grunhidos dos animais são o único ruído que corta o silêncio desse pequeno refúgio.

Travessia
Chegar a Cabo Polonio requer uma pitada de espírito de aventura: distante 8 km da ruta 10- a única estrada que leva à região-, só é possível transpor o caminho de areia que cerca a entrada da península em automóveis 4x4, a cavalo ou até mesmo caminhando.
É proibido entrar com veículo próprio, por isso é preciso recorrer a camionetes especialmente adaptadas com rodas gigantes de uma das seis agências autorizadas a transitar no local. Há saídas de uma em uma hora, e o preço é fixo (120 pesos, cerca de R$ 11,50).
Para quem acaba de chegar, Cabo Polonio se mostra um pouco desordenado: não há ruas demarcadas ou qualquer característica que remeta a um centro urbano. As casas, que não somam mais de 150, têm poços de água, hortas e criação de galinhas e ovelhas. A maioria é de madeira ou pintada de branco. Todas estão espalhadas, sem ordem.
A população local é de apenas 70 pessoas, mas boa parte das casas é de veraneio e, por isso, ficam vazias durante meses. Sorte de quem as ergueu enquanto era permitido. Desde 1992, para proteger a riqueza natural da península, o governo proíbe qualquer tipo de construção na península.
Toda essa atmosfera faz de Cabo Polonio um segredo. Não chega a ser considerado um lugar turístico para muitos uruguaios e não aparece na maioria dos guias de viagem. É justamente esse seu encanto: ser um destino especial, aonde se chega porque alguém contou que esteve lá.


AGÊNCIAS - La Estrella del Cabo: 00/xx/598/99/87-0868; El Paraiso: 00/xx/598/99/63-5441
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Nome da península veio de naufrágios de embarcações

















Zona de costas rochosas e perigosas para a navegação, Cabo Polonio reúne uma quantidade considerável de naufrágios. Duas dessas tragédias disputam a origem do nome do lugar.
A primeira versão é a de que a denominação teria surgido em 1735, com um naufrágio da embarcação Polonio, proveniente de Cádiz, Espanha. A segunda teoria defende que um acidente com um navio contrabandista comandado por Joseph Polloni, poucos anos depois, teria sido o responsável pelo batismo.
Construído em 1880 pelos ingleses, o farol com 25 m de altura e 124 degraus tinha como objetivo advertir os marinheiros sobre o perigo da península e diminuir o alto número de desastres marítimos que ocorriam por lá. Em 1976, o farol se tornou monumento nacional.
Seguindo pela costa, as pedras cedem espaço a quilômetros de praias desertas: de um lado do farol está a praia de Calavera e, do outro lado, a praia Sur. A areia é dura, e o vento ameniza o calor, que durante o dia é escaldante, próprio do clima subtropical. No verão, a temperatura passa de 30C e, durante o inverno, pode chegar a 2C. As noites são sempre frias, mesmo nos meses mais quentes -em virtude dos fortes ventos vindos do Atlântico.
O pôr-do-sol é longo e tinge o céu dos tons mais variados. O espetáculo vem sempre acompanhado da coreografia dos grupos de gaivotas que sobrevoam a região.
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Comandado por um cego, bar em formato de labirinto merece visita

À noite, comércios e casas ganham um visual romântico, com velas penduradas nos tetos e espalhadas pelo chão. São comuns as reuniões em pequenos bares à luz de velas.
Entre eles, o mais curioso é o bar de Josuelo, um nativo de Cabo Polonio. O teto e as paredes são cobertos com os mais variados tipos de planta, o chão é de areia, e as mesas são dispostas em corredores que formam um labirinto. Cego há alguns anos, Josuelo conhece cada milímetro de seu inusitado estabelecimento.
As opções de hospedagem não são variadas. As melhores e com localização privilegiada são a pousada Mariemar e a hostería La Perla. Ambas ficam na praia Sur, e os preços variam de U$ 35 a U$ 50, com café da manhã. Contam com geradores, que oferecem luz por um par de horas.
Também é muito comum os viajantes alugarem casas de veraneio ou de moradores locais a preços negociáveis.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Plenitude

















Sou confusão,
Mas sou paz
no coração.

Sou ladeira em declive
Esperando pelo vento
Que vêm saciar minha fome
E me trazer plenitude.

Sou só luz,
sensação de amor,
inspiração do som
que reverbera minha alma
na voz dos apaixonados.

sábado, 23 de maio de 2009

Assalto na Praça Roosevelt

Fui assaltada. É isso aí. Agora há pouco, sexta-feira, por volta de 1h30 da manhã. Cacetada, parece que a vida fica testando a gente e junta um monte de coisa ruim num mesmo momento. Resultado disso: crise. Mas deixa a crise pra lá...

Tava felizona, tinha ido num show com a Adri no Galharufa, na Praça Roosevelt, e queria mostrar o outro lado da praça pra ela. A rua que contorna a praça estava bombando de gente; lá tem se tornado um pólo cultural que reúne um monte de artistas e nego metido a intelectualóide. E muito nóia também, já que a praça está abandonada.

Fizemos um caminho passando pela frente da igreja e do batalhão da polícia militar. Adivinha onde foi o assalto? Bem na frente do batalhão. O cara chegou junto nervosão. Chutaria que está em começo de carreira. Descrição física? Mulato, gordinho, camiseta branca, jaqueta jeans, calça escura e mochila nas costas. Colou do meu lado: - Passa o celular. Fiquei atordoada, sem saber o que fazer. Com quatro celulares na bolsa: um que era o que eu usava para a Black Rio e ainda não tinha passado todos os contatos para o Nextel (que é o que ele levou e que eu tinha há menos de um mês), o meu antigo da Vivo com zilhões de contatos importantes profissional e pessoalmente (mas que não tinha mais função desde ontem, quando mudei para a Claro) e o celular novo, da operadora nova que eu contratei.

Enfiei a mão na bolsa, meio sem saber o que fazer: qual dos celulares era menos importante? Eu tinha tempo para avaliar isso naquele momento? O cara não mostrou arma, mas sei lá. Minha vida, minha integridade física valem bem mais do que qualquer bem material que eu possa ter. Mas que dá raiva, dá. Ele pediu pra Adri dar o dela também, mas ela estava mais distante dele e disse que não tinha. Ele saiu vazado, quase tão (ou mais) assustado do que nós duas.

Entrei correndo no batalhão da polícia, gritando por socorro. Em poucos minutos, saímos eu, adri e dois policiais numa viatura para caçar o ladrão. Rodamos cerca de uma hora e nada. Deve ter subido no primeiro ônibus que viu. Mas a situação toda me leva a pensar uma série de coisas. Como é que pode rolar roubo atrás de roubo na frente de um batalhão da polícia, em um lugar que tem uma vida cultural super ativa? Soube de alguns outros assaltos na mesma noite. Eu fico com raiva daquele mané que me assaltou que, não me pareceu nem de longe que estava na nóia de droga ou que tivesse alguma prática em assaltos. O cerco fechou e o mano precisa pagar as contas ou, pelo menos alimentar uma família? É isso? E a polícia ia pegar o nego e fazer o que? Encher o cara de porrada? Que caralho de país! Devo ficar com raiva do batedor de carteira que, por sorte não me machucou e levou mais nada meu, ou devo ficar revoltada com a situação caótica de um país que exclui mais e mais as pessoas, deixando uma massa no limbo e privilegiando alguns poucos que tem poder e grana?

Confesso que queria muito reaver meu telefone, ainda mais porque tinha o número de um monte de gente que eu tomava o maior cuidado pra nao vazar: desde meus amigos, minha mãe, meu pai, celebridades do tipo Elza Soares, Chico César, Seu Jorge, Mano Brown, até o secretário executivo do Ministério da Cultura. Vou deitar com a sensação de fazer parte de um sistema que eu odeio com todas as forças. E contra o qual eu luto com as armas que tenho: honestidade, vontade de mudança, fé, união de forças do bem, minha capacidade intelectual, o quarto poder... acho que são poucas minhas ferramentas. Vou dormir (ou pelo menos tentar) com uma tremenda sensação de impotência.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Um novo mundo no meio do caos


















Em janeiro de 2004, depois de passar oito meses em Londres e um mês na Tailândia, decidi ir para a Índia. Queria acompanhar o Fórum Social Mundial, em Mumbai, e desbravar aquele lugar tão intrigante. A verdade é que ele se mostrou bem mais complexo depois de minha passagem por lá. Foram três meses com a mochila nas costas, sozinha, rodando do sudoeste para o noroeste do país. Os fatos vividos por mim foram diversos. Foi uma viagem difícil, mas que me ensinou a viver bem sozinha. O mundo externo a mim era tão exótico, que me reprimia em vários momentos. A cultura é diferente e os hábitos e costumes são totalmente peculiares. Amei a viagem, mas não acho que é para qualquer um encarar um país como aquele, especialmente sozinho, sendo mulher e branca-azêda como eu. Fui raçuda, confesso. Mas tudo o que vivi e cresci na viagem, além de ter tido a honra de estar próxima do Dalai Lama e do Gilberto Gil nessa mesma trip, fizeram dela um momento inesquecível. Segue uma matéria que foi encomendada como editorial da Carta Capital (que descartou o texto com extremo descaso, pois ele foi substituído por algum babado novo do Daniel Dantas e eles acharam o tema prioritário). O texto foi publicado na revista Jungle Drums (www.jungledrumsonline.com), uma publicação brasileira bilíngue bem bacana feita em Londres. Ela fala mais especificamente sobre o Fórum. Mais adiante reproduzo outras do mesmo destino.

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Um novo mundo no meio do caos


Direto de Mumbai, na Índia, a repórter da JungleDrums Mariana Bergel descreve a atmosfera e o que aconteceu no Fórum Social Mundial

Texto e fotos de Mariana Bergel (matéria publicada na revista Jungle Drums, em fevereiro de 2004)











Visitar a Índia com certeza vai muito além de apenas uma aventura em um país exótico. Ao sair do aeroporto internacional, em Mumbai, é impossível evitar o contato direto com uma realidade dura e desumana. O cenário é caótico: barracos e mais barracos, pedintes, um trânsito completamente maluco e uma grossa névoa de poluição. À noite, impressiona ver o número de pessoas dormindo nas ruas. Com 18 milhões de habitantes, a cidade consegue reunir todos os problemas urbanos do mundo. Para os participantes do IV Fórum Social Mundial, que aconteceu em Mumbai entre 16 e 21 de janeiro, o slogan "um outro mundo é possível" ganhou a urgência de se buscar alternativas que possam transformá-lo em realidade.

A sede do Fórum (uma fábrica desativada) transformou-se em um grande espetáculo de sons, cores e cheiros e reuniu mais de 100 mil pessoas de 141 países, das quais pelo menos 500 eram brasileiros. Grupos de vários lugares do mundo, principalmente da Ásia, circulavam para cima e para baixo tocando tambores e colorindo o ambiente com roupas tradicionais, como turbantes, saris e trajes tibetanos. Quando os grupos se encontravam nas encruzilhadas, era um festival de danças e gritos de ordem. Essa era a voz dos excluídos para mostrar sua indignação e para quem o aperto de mão foi uma das linguagens mais praticadas.

O significado desse gesto foi ainda maior para os chamados intocáveis, também conhecidos como Dalits, grupo mais oprimido no sistema de castas que hierarquiza a sociedade na Índia. Entre a população do país, que já passa de 1,2 bilhão, eles representam quase 200 milhões. O Fórum mostrou a essas pessoas a possibilidade de conquistar dignidade, exemplificada nas palavras de uma jovem Dalit de 16 anos: "A gente veio para lutar pelos nossos direitos; saímos daqui com a sensação de que agora a gente pode fazer qualquer coisa". Neste Fórum os excluídos deixaram de ser um assunto debatido pela elite intelectual-política e compareceram em massa, vindos de diferentes regiões do continente.

Diferente do que aconteceu nas outras edições, em Porto Alegre, a estrutura do Fórum não contou com nenhum apoio governamental ou partidário. Através de doações de entidades, tendas e salas foram construídas com madeiras, cordas e panos, dando um ar de improviso que denunciava a falta de recursos.

A dignidade e os direitos humanos, a questão da Palestina, a crise da OMC, a privatização de recursos vitais como a água, a proposta de reformar a ONU e o FMI foram os principais temas entre os mais de mil debates e palestras.

É fato que a participação popular esteve muito mais consistente e ativa. Claro que isso não garante o fortalecimento da sociedade civil como um agente que possa realmente trazer mudanças. Mas há de se acreditar, como os Dalits, os tibetanos e todos os outros envolvidos, que, desde que existam ações práticas para dar continuidade ao desenvolvimento das propostas, as mudanças são possíveis.


Para nao dizer que nao falei das flores












A questão ambiental esteve longe de ser um dos temas mais abordados no IV Fórum Social Mundial. A privatização de recursos naturais (especialmente a água) por empresas multinacionais até foi bastante discutida, mas a questão do aquecimento global e outros temas fundamentais relacionados ao meio ambiente não tiveram destaque merecido na pauta do Fórum.

Para Lisângela Araújo, diretora nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), informação é essencial na luta pela preservação do meio ambiente. "Os movimentos ambientalistas estão ganhando força, mas falta informar melhor a população sobre coisas básicas", diz.

Francisco Whitaker, do Comitê de Organização do Fórum, concorda que faltou abordar mais a questão ambiental no evento, mas disse que os temas foram votados. "Não se pode falar em desenvolvimento social sem levar em conta o impacto ambiental", ressaltou.

Uma das soluções que seguem essa idéia e tiveram destaque no Fórum é a criação de eco-vilas, uma das mais efetivas alternativas para o desenvolvimento sustentável. Essas comunidades auto-sustentáveis, que reúnem de 50 à 2 mil pessoas, começaram a entrar em cena principalmente na ultima década. As eco-vilas criam um ambiente social positivo com o uso de tecnologias de baixo impacto ambiental, a produção de alimentos sem agrotóxicos, o tratamento do esgoto e do lixo de maneira e a criação e proteção de reservas naturais.