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sexta-feira, 12 de março de 2010

Moçambique, África paradisíaca

Moçambique, África paradisíaca

Moçambique: África paradisíaca fala português.
Mariana Bergel - 11/3/2010 - 19h37 (matéria publicada no Diário do Comércio)
 

É impossível não pensar em Moçambique sem abrir um belo sorriso. Além da beleza natural e da realidade de um país em reconstrução, o que mais marca a visita é a simpatia dos nativos. Frequentemente eles puxam conversa com os turistas, sempre sorrindo. E quando descobrem que se trata de um brasileiro, aí então ficam extasiados de alegria.
Localizado na costa oriental do continente africano e banhado pelo Oceano Índico, Moçambique fica acima da África do Sul, na altura de Madagascar. O destino vale a pena tanto para quem busca natureza como para quem quer conhecer uma cultura diferente.
O país tornou-se independente em 1975, foi palco de uma cruel guerra civil até 1992, e ainda se recupera dos traumas do pós-guerra. Uma das fortes marcas dessa tragédia pode ser observada, além da miséria latente, no fato de a população ser majoritariamente jovem.
Ainda que se esteja na África, a familiaridade com o idioma português é um facilitador aos visitantes, resultado da história de ocupação portuguesa. Há algumas diferenças de vocabulário, mas a compreensão é bastante tranquila. Os brancos e estrangeiros, por exemplo, são chamados de mulungos.
A chegada a Maputo, capital de Moçambique, já denota o quanto os brasileiros são amados por ali. Os moçambicanos acompanham todas as nossas novelas e consomem muita música brasileira, que vai de Djavan a Leandro e Leonardo. Em todo o país, nas ruas, há camelôs vendendo de tudo: tomates, alface, sapatos, CDs, roupas, balas etc.

Mariana Bergel
A bela praia de Tofo é tranquila durante o dia e agitada depois que sol se vai, com bares na areia.


As principais atrações de Maputo são o Mercado do Peixe e alguns restaurantes em que é possível se alimentar melhor do que fora da capital. A noite também é bastante agitada por lá. No entanto, é importante tomar cuidado ao circular pela cidade, pois os turistas são alvo fácil para os ladrões e a polícia. Para evitar qualquer tipo de suborno policial, é importante portar sempre uma cópia autenticada do passaporte.
Na hora das compras, vale a lógica da pechincha: os preços ofertados são sempre o equivalente ao dobro ou o triplo do valor real.
Tofo – Saindo de Maputo rumo ao norte do país, a pouco menos de 500 quilômetros da capital está a bela praia do Tofo, com o mar azul-esverdeado. Situada na província de Inhambane, é uma das preferidas dos turistas estrangeiros que se embrenham por terras moçambicanas.
Para chegar a esse paraíso é possível pegar um "chapa" (lotações) na rodoviária de Maputo, alugar um carro (lembre-se de que a condução é feita pela esquerda) ou um vôo direto de Maputo para a capital da província de Inhambane. Uma vez lá, as melhores opções de hospedagem estão na beira da praia.

Mariana Bergel
A bela praia de Tofo é tranquila durante o dia e agitada depois que sol se vai, com bares na areia.





O melhor a fazer em Tofo é descansar e admirar o visual estonteante e ainda pouco explorado da praia, que lembra o recorte de praias como Taipus de Fora, na Bahia. Durante o dia há um mercado com badulaques e artesanato local e, à noite, o Dino's Bar e o Fatima's Place oferecem música eletrônica e, às vezes, ao vivo. É uma boa oportunidade para quem quer conhecer a famosa "marrabenta", ritmo local mais difundido, que é hoje um símbolo cultural nacional.
Perto da praia do Tofo estão também as praias da Barra e Tofinho, esta última famosa por ter golfinhos. Para os amantes do mergulho, a região também é uma boa pedida. À mesa, não deixe de provar "matapa", o prato mais tradicional da culinária moçambicana. A receita leva basicamente folha de mandioca, leite de coco, camarão seco e amendoim.
O nascer do sol e o pôr-do-sol são espetáculos imperdíveis em Moçambique, especialmente quando se está no litoral. Fica fácil entender porque o pôr-do-sol na África é considerado um dos mais bonitos do mundo.

UMA ILHA QUASE DESERTA

Mariana Bergel
Indigo Bay, em Bazaruto, está entre os resorts mais cobiçados do mundo. Só 114 hóspedes e programas como passeio a cavalo.





Considerado um dos mais belos do continente africano, o Arquipélago de Bazaruto, em Moçambique, é um refúgio natural. Parte do conjunto de ilhas, foi transformado em Parque Natural Marinho em 1971.
Praticamente deserta – são  3 mil habitantes em 38 km de comprimento e 7 km de largura -, a Ilha de Bazaruto oferece muitos atrativos naturais. São lagoas com crocodilos (parece estranho, mas eles estão lá e ninguém sabe explicar o fenômeno), enormes dunas que desembocam no mar, golfinhos e um mar repleto de maravilhas marinhas para mergulhadores amadores e profissionais. Quem tem o privilégio de chegar de monomotor ao arquipélago observa do alto as águas cristalinas que permitem ver nitidamente os inúmeros corais espalhados pela região.
Para chegar a Bazaruto é preciso ir até Vilanculos, que fica a cerca de 700 km da capital  Maputo e é a cidade continental mais próxima do arquipélago. O mais indicado é fazer o trajeto de avião, já que as estradas moçambicanas estão em péssimo estado e a polícia local é bastante corrupta – não são raros os casos de multas aplicadas indiscriminadamente a turistas estrangeiros.
Entre as escassas opções de hospedagem nas duas únicas ilhas habitadas do arquipélago (Bazaruto e Benguerua), a mais luxuosa é o resort cinco-estrelas Indigo Bay, em Bazaruto. O lugar hospeda em chalés luxuosos e tem capacidade para apenas 114 pessoas. A gastronomia do resort oferece delícias como salada de lagosta e frango com piri-piri (pimenta tradicional moçambicana). Vale a pena o passeio a cavalo para ver o nascer do sol do topo das dunas.

RAIO X 





COMO CHEGAR
Os voos da South African Airways (tel. 11/3065-5115, www.flysaa.com) fazem escala em Johanesburgo, na África do Sul, antes de seguir para Maputo (distante 1h30 de voo).  Tarifas a partir de US$ 1.595 ida-e-volta. O vôo de ida e volta de Johanesburgo para Vilanculos custa U$ 347 pela LAM (www.lam.co.mz/pt).

ONDE DORMIR

Fatima's Place: Mao Tse Tung Ave, 1317, Maputo, tel. (258) 8244-5730. Próximo ao centro da capital, trata-se de um hostel bem cuidado e equipado. A partir de US$ 20 por pessoa.
Hotel Polana: Avenida Julius Nyerere, 1380, Maputo, tel. (258) 2149-1001, www.serenahotels.com. Elegante e considerado um dos melhores da cidade. Tem piscina, quadra de tênis, cassino, restaurante e um belo jardim. A partir de US$ 168 o casal, com café da manhã.
Hotel Tofo Mar: Bairro Josina Machel, Praia do Tofo, Inhambane, tel. (258) 2932-9043, www.hotel-tofomar.com. O hotel está localizado na praia, perto do centro da vila. Oferece passeios a cavalo e equipamento de mergulho. A partir de US$ 107 o casal.
Casa Barry: no topo da montanha ao leste da Praia do Tofo, Inhambane, tel. (258) 317670111. Tem charmosos chalés com vista para o mar. É a melhor opção na vila e tem um restaurante com ótimas opções. A partir de US$ 83 o casal.
Indigo Bay - Island Resort and Spa: Ilha de Bazaruto,  tel. (258) 2130-1618, www.indigobayresort.com. A cozinha, especializada em frutos do mar, é fabulosa, assim como a decoração. Em um local paradisíaco, oferece toda toda infra-estrutura de um ótimo resort. A partir de US$ 349 o casal, com pensão completa (todas as refeições incluídas, exceto bebidas alcoólicas).

ONDE COMER

Mimmo's: Avenida Salvador Allende com Avenida 24 de Julho, Maputo, tel. (258) 2149-4080. Tem pratos com frutos do mar, massas e grelhados. 
Restaurante Costa do Sol: Avenida Marginal, Maputo, tel. (258) 2145-0038. Amplo, em uma construção estilo art déco na frente da praia, fica a 5 km do centro e tem diversidade de pratos com frutos do mar. 
Mundo's: bairro Josina Machel, Praia do Tofo, Inhambane; e Avenida Julius Nyerere, 657, Maputo, tel. (258) 8443-04300, http://blog.mundosmaputo.com. Em ambiente simples, porém agradável, oferece um cardápio bem variado – de pizza a peixe do dia.

FAÇA AS MALAS

Na internet: www.turismomocambique.co.mz, www.portaldogoverno.gov.mz, www.mozambique.org.br, www.turismomocambique.co.mz.
Pacotes: pela Nascimento Turismo (tel. 11/3156-9944, www.nascimento.com.br) e a Designer Tours (tel. 11/2181-2900, www.designertours.com.br). 
Clima: a média é de 20ºC no sul do país e 26ºC no norte.
Visto: é preciso enviar o passaporte, formulário preenchido, xerox do passaporte, comprovante de hospedagem, xerox da vacina contra febre amarela, duas fotos 3×4 e o comprovante de pagamento de taxa de R$ 150 para a Embaixada de Moçambique em Brasília. Mais informações pelo www.mozambique.org.br.
Moeda: metical. U$S 1 vale 32.745 MZN.
Fuso: cinco horas a mais que em Brasília.
Vacina: contra febre amarela. Mais informações pelo site www.anvisa.gov.br.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Prêmio Empreendedor Social de Futuro 2009


Quem é David Hertz
35 anos  
Gastrônomo e chef de cozinha  
Solteiro 
Nasceu em Curitiba e mora em São Paulo  
Fundou a Gastromotiva que, por meio da prática, capacita jovens de baixa renda em curso profissionalizante em gastronomia para ingresso no mercado de trabalho, gera renda por meio de um bufê-escola e visa dar suporte ao desenvolvimento de negócios sociais em comunidades carentes


Tempero motivador
 

Chef de cozinha corre o mundo para descobrir no Brasil sua receita favorita: ajudar jovens a pilotar a vidas
MARIANA BERGEL
Colaboração para a Folha de S.Paulo
(matéria publicada no caderno especial Empreendedor Social 2009 em 09/12/2009)

Nascido em uma tradicional família judaica de Curitiba, David Hertz, 35, passou grande parte da juventude em busca de uma receita para sua vida.
Cresceu acompanhando o pai em sua loja de armarinhos. “Minha família é conservadora e o mais provável era que eu seguisse o mesmo rumo”, lembra.
A escola, o movimento juvenil e os eventos sociais da adolescência também eram dentro da comunidade judaica local.
Aos 18 anos, porém, foi para Israel, onde viveu num kibutz. “Tive ali a primeira visão de que havia um mundo maior e de que poderia buscar a minha história, seja lá qual fosse ela.”
O que era para ser uma viagem de um ano transformou-se em sete. Entre idas e vindas, visitou Tailândia, China, Vietnã, Índia, Inglaterra, Canadá.
Na Tailândia, fez seu primeiro curso de culinária. Na Índia, descobriu o lado ritualístico da gastronomia e, no contato com os ingredientes, um meio de sentir a essência das pessoas.
Mas foi em Toronto, onde trabalhou como entregador de comida, que pensou pela primeira vez em se tornar chef.
“Aos 25, vi que não estava sendo inteiro. Eu era conhecido como aquele que sempre falava que queria fazer uma coisa, mas nunca fazia. E isso me incomodava. Quando me aceitei, tudo começou a acontecer.”
Mudou-se para São Paulo, cursou a faculdade de gastronomia e logo tornou-se chef do recém-aberto café Santo Grão.
O sabor que buscava, entretanto, só encontrou em 2004, quando foi convidado a desenhar um projeto de cozinha dentro da favela do Jaguaré.
“Ao pisar na cozinha, vi um novo mundo, no qual descobri ser possível colocar todos os meus aprendizados na prática: superação de desafios, contatos pessoais, olhar positivo e, sobretudo, continuar minha busca pela troca de aprendizado.”
Surgiu, assim, o Cozinheiro Cidadão, que ensinava gastronomia a jovens do entorno.

Mais fermento 

Daí em diante, a receita de sua vida, por anos incerta, ficou mais que definida. Com o tempero da gastronomia, selecionou ingredientes como empreendedorismo, protagonismo juvenil, educação, inclusão.
Em um mês, conheceu a Artemísia, rede de apoio a negócios sociais que impulsionou seu projeto.
“Estavam procurando jovens com a ideia de montar um negócio social.”
Acompanhado da aprendiz Uridéia Costa, que conhecera no Cozinheiro Cidadão, decidiu, em 2005, criar um bufê-escola com formação profissional na prática, geração de renda e replicação de negócios sociais. Saía do forno a Gastromotiva.
“Pela primeira vez, após procurar tanto o que queria fazer da vida, eu estava muito em paz [com a busca]. As coisas vêm na hora em que têm de acontecer.”
Hoje, com uma equipe fixa de dez pessoas e 66 aprendizes formados em dois anos, o incansável David ri quando lembra os “32 nãos” que levou —e que continua ouvindo.
Mas não deixa de focar na autossustentabilidade e em adicionar fermento a seu impacto social.
“Adoraria inspirar outros negócios a virarem sociais. Ao ajudar as pessoas a encontrar seu caminho, eu me encontrei. Sinto-me muito empoderado.”

Colaborou CÁSSIO AOQUI, da Folha de S.Paulo
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Inovação A principal inovação está no impacto social transformador e na visão multiplicadora por meio de negócios sociais autossustentáveis, ambos com o suporte de uma gestão diferenciada e profissional dos processos. Esse conjunto, alicerçado na qualidade de atuação, faz da organização pioneira em negócios sociais gastronômicos no país
Impacto social A Gastromotiva beneficiou diretamente 66 jovens com curso profissionalizante em cozinha em dois anos. Neste ano serão formados 60 jovens e, no próximo, 120
Sustentabilidade Negócio social híbrido, a Gastromotiva depende de doações e gera receita com serviços e produtos do bufê-escola
Alcance A entidade atua na cidade de São Paulo, com enfoque em jovens de comunidades e bairros periféricos, como Paraisópolis, Vila Nova Jaguaré e Heliópolis, tendo ainda uma extensão piloto na Indonésia
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A visão de uma das beneficiárias do projeto
 
“Sou do interior do Rio Grande do Norte, fui criada pela minha avó com meus três irmãos, mas vivíamos em 14 pessoas em casa.
Minha mãe veio logo que eu nasci para São Paulo porque lá não tinha fonte de renda. Só a conheci aos 11 anos.
O meu pai eu conheci, mas ele nunca me aceitou como filha.
Eu tive uma situação financeira muito ruim. Já passei muita fome.
Hoje eu conto isso com muito orgulho porque eu superei tanta coisa pra conseguir esse meu espaço.
Aos 16 anos a minha avó ficou muito doente e minha mãe foi me buscar. Quando cheguei a São Paulo, fui morar na favela do Jaguaré.
A minha convivência com a minha mãe não foi igual a tudo aquilo que eu sempre sonhei.
No último dia de aula do ensino médio, eu pensei que naquele momento eu teria que me virar sozinha. Nesse dia eu vi um cartaz do Cozinheiro Cidadão.
O meu objetivo maior era comer lá porque se eu não comesse em casa eu não ia precisar ajudar a minha mãe.
De cara eu me apaixonei por tudo. Eu nunca tinha pensado em ter gastronomia como profissão.
Mas eu sempre gostei muito de ensinar. Foi isso que eu acho que mais me encantou na gastronomia.
No final do curso eu estava passando por uma fase de depressão, não queria sair de casa, não queria falar com ninguém.
Eu tinha acabado de brigar muito feio com a minha mãe, ela tinha me expulsado de casa. Foi no dia que, pela terceira vez, tentei me suicidar.
Aí apareceu o David com um convite da ONU e uma passagem para eu abrir a exposição sobre as oito metas do milênio em Nova York.
Só acreditei quando eu estava discursando para o Kofi Annan e para centenas de pessoas que ouviram a minha história.
Voltei decidida de que a minha vida ia ter uma transformação. Em seguida o David veio com a proposta de criar a Gastromotiva, mas ele não tinha dinheiro.
Aí eu percebi que a força de vontade, a garra que a gente tem que ter para superar as dificuldades tem que ser muito grande e isso a gente tinha.
O David foi o meu mestre em tudo. Hoje com eventos, ganho cerca de R$ 2.000 e estou fazendo faculdade de gastronomia.
Eu amo o que eu faço. Quando eu vejo os novos aprendizes com aquele brilho no olhar e penso que posso contribuir para que aquele brilho aumente cada dia mais, fico fascinada.
Onde eu moro as pessoas me chamam de estrela. Meus maiores presentes são saber que eles me têm como exemplo e ver as pessoas que entram na Gastromotiva evoluindo e mudando de vida.”

URIDÉIA ANDRADE DA COSTA, 24, coordenadora-executiva do Bufê Escola da Gastromotiva
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David Hertz é o primeiro vencedor do Prêmio Folha Empreendedor Social de Futuro 


Chef de cozinha, curitibano lidera a Associação Gastromotiva
foto: Rodrigo Paiva/Folha Imagem O ganhador do do Prêmio Empreendedor Social de Futuro 2009, David Hertz, comemora com a equipe da Gastromotiva

Da Folha de S.Paulo

Acostumado a coordenar dos bastidores diversos eventos em São Paulo, o chef David Hertz, 35, inverteu os papéis na noite de hoje e subiu ao palco no Masp para se tornar o primeiro vencedor do Prêmio Empreendedor Social de Futuro, lançado neste ano com exclusividade pela Folha.
"O prêmio é a certeza de que estamos no caminho certo, e essa trajetória toda é viável", celebrou o gastrônomo.
David é mentor e principal líder da Associação Gastromotiva, que de forma prática, capacita jovens de baixa renda em curso profissionalizante em gastronomia para ingresso no mercado de trabalho, gera renda por meio de um bufê-escola e visa dar suporte ao desenvolvimento de negócios sociais em comunidades carentes.
Em dois anos, sua organização formou 66 pessoas de bairros periféricos de São Paulo --neste ano serão formados 60 jovens e, no próximo, 120-- e acaba de replicar o modelo na Indonésia.
"Fiquei realizada, foi um sonho concretizado finalmente", festeja a sous-chef Uridéia Andrade da Costa, 24, coordenadora do Bufê Escola Gastromotiva e maior inspiração de David na criação da ONG.
Com a vitória, o gastrônomo receberá uma consultoria de gestão da sitawi e uma bolsa de estudos integral para curar o MBA Gestão e Empreendedorismo Social, do Ceats-FIA (Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor da Fundação Instituto de Administração).
"Todo o patrocínio que recebermos beneficiará cada projeto dos alunos da Gastromotiva", ressaltou David.
O outro finalista do concurso foi o educador ambiental e especialista em saúde pública Daniel Cywinski, 35, cofundador da Associação Mestres da Obra, também de São Paulo, que implanta atividades culturais em canteiros de obras em São Paulo.
Com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento humano dos operários da construção civil, Daniel realiza ateliês de arte com resíduo da própria construção e atividades de fotografia, música e teatro, pelos quais, desde 2008, passaram 290 trabalhadores, que tiveram as obras expostas em São Paulo, Rio, Maceió e Barcelona.
De iniciativa exclusiva da Folha, o Prêmio Empreendedor Social de Futuro 2009 tem visa incentivar ideias inovadoras postas em prática há mais de uma no e há menos de três e tem como apoiadores o Ceats-FIA, a Fundação Schwab, o Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, o UOL e a sitawi, com patrocínio da Caixa e da Nestlé.


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Especial da Folhinha sobre bichos de estimação

Este texto foi publicado no especial sobre bichos de estimação da Folhinha. Minha matéria, como dá pra ver (dã!) foi sobre peixes. Como sempre, fazer qualquer coisa com crianças é puro aprendizado.



PEIXES

AMIZADE COLORIDA

Peixes são gostosos de olhar, mas vivem no mundinho deles
MARIANA BERGEL
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA (Matéria publicada na Folhinha em 31/10/09)

Ele dá pouco trabalho para cuidar e é muito gostoso de olhar. "É divertido ter peixes. São coloridos e bonitos", opina Liz Fratucci Frias, 8. Ela e a irmã, Lara, 11, têm 15 deles em um tanque em casa.
A maioria são carpas, bem grandes se comparadas aos peixinhos de aquário. "Meu pai ama os peixes porque mergulha. Quando ele viaja, sou eu que dou comida para eles", avisa Lara.
Mas não adianta ficar só olhando. Tem que observar como ele vive para poder cuidar. João Marcos Ortiz Mendes, 12, conta que quem tem um peixe precisa conhecer seus hábitos.
Uma vez, três de seus pacus morreram quando o aquário foi lavado. "Foi por causa da mudança de pH da água", explica, referindo-se ao grau de acidez.
Agora ele sabe o que querem dizer os sinais que eles dão. "Quando estão doentes, as escamas ficam diferentes, eles ficam muito parados e deixam de comer."
Marina Cartum, 7, tem um peixe beta chamado Zuzul. Mas ela diz que quer ter um aquário grande e com um monte de peixes coloridos. "É legal cuidar dele, porque eu sinto que estou cuidando de outra vida."

CUIDE DO SEU BICHO!

Fique de olho na saúde dele. Abrir muito a boca na superfície, parar de comer ou ficar menos ativo e apresentar feridas, nadadeira roída e escamas arrepiadas são sinais de doença. Com a ajuda de um adulto, limpe o aquário a cada 15 dias, trocando parte da água e retirando resíduos.

R$ 15 é o gasto por mês com comida
R$ 70 é o preço de um aquário de 10 litros, com filtro

CANTO SUBMERSO

** Aquário

Seu porte varia com o comprimento do peixe: 5 litros para cada um de até 7 cm e 70 l para maiores. Não pode receber luz natural, para evitar algas, que fazem mal ao bicho.

** Cubo

Aquário em forma de bola não é recomendado, porque o peixe gosta de ficar escondidinho no canto. E tem boca muito pequena, o que reduz o nível de oxigênio.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Globo Escolar



Dê um giro rapidinho pelo mapa-múndi para saber como funcionam as aulas em outros países








NAS SALAS DE AULA DO MUNDO

MARIANA BERGEL
Colaboração para a FOLHA
(Matéria publicada no dia 8 de gosto de 2009 na Folhinha)

Não pense que só a língua que se fala é diferente. Em outros países, professores são chamados pelo sobrenome, há esqui nas viagens, e as crianças aprendem coreografias de torcida organizada

((((LONDRES, INGLATERRA))))

Férias curtinhas

Às vezes, você daria tudo para ter uma folguinha? Luiza Souza, 8, de Londres, na Inglaterra, tem uma semana de folga da escola a cada mês e meio. Em compensação, as férias de verão duram só seis semanas.
A cada três meses, os alunos têm um passeio educativo. Um deles foi para uma fazenda em estilo romano. "Aprendemos a cozinhar como os romanos", conta.
Luiza vai para o colégio a pé ou de patinete. As disciplinas preferidas dela são educação física e matemática, e os professores não são chamados pelo nome, mas por senhor ou senhora, seguido do sobrenome.


((((SANTIAGO, CHILE)))))))))

Torcida organizada

Os passeios escolares de Darinka Marin Ourcilleon, 11, que vive em Santiago, no Chile, variam de cinema a visitas a fábricas de pizza. Já sua irmã Sayen, 8, visita o Corpo de Bombeiros.
Na escola, que é particular, o uniforme é obrigatório. Os professores delas são chamados de "tio" ou "tia", seguido do nome.
Além das matérias que fazem parte da grade curricular, Darinka faz balé e aprende coreografias de torcida organizada.
Já Sayen faz ginástica. Entre as disciplinas preferidas, as duas escolhem matemática e inglês. Darinka gosta também de ciências naturais, e Sayen, de espanhol.

(((((LUANDA, ANGOLA)))))

Solidariedade no currículo

Em Luanda, capital da Angola -país que, como o Brasil, foi colônia de Portugal-, João Victor Guimarães Saraiva, 12, estuda em um colégio particular português. O emblema da escola estampa o uniforme, que é composto de camisa polo azul, calça jeans e tênis.
Fora as disciplinas do currículo básico, ele faz judô e natação. "Participo também das aulas de reforço de francês e português."
No tempo livre, João Victor anda de skate, joga bola e estuda. Ele também faz parte de um grupo que dá apoio a uma comunidade carente.

(((((CADRO, SUÍÇA)))))

Semana Branca e verde

As irmãs Paloma, 12, e Lorena Martinaglia, 10, de Cadro, na Suíça, dedicam-se muito ao reforço do que aprendem em aula. "A gente passa a maior parte do tempo estudando, até nos finais de semana", conta Lorena.
Mas não ficam só na sala de aula. Há passeios como o da Semana Branca, de esqui e acampamento, e a Semana Verde, de caminhadas.
Na escola, que é pública, os professores são chamados pelo nome. Além das aulas tradicionais, elas têm italiano, francês, ginástica rítmica, música, costura e religião.

(((((KIBUTZ MAAGAN MICHAEL, ISRAEL)))))

Bê-á-bá no kibutz

A natureza é muito presente para Noga Linder, 9, de Israel. Ela vive e estuda no kibutz Maagan Michael, uma comunidade agrícola.
Nesses lugares, além de um refeitório comunitário, há piscinas, parquinhos e muitos jardins. Como a escola fica bem pertinho de casa, Noga vai de bicicleta.
Os professores são chamados pelo primeiro nome, e a escola é pública. A garotada leva lanche para o intervalo. Noga aprende a tocar flauta e a jogar tênis e faz dança moderna e artes.

(((HONG KONG, CHINA)))

Fantasia na escola

Os gêmeos Bruno e Gabriela Pessina Graneiro, 7, moram em uma cidade grande: Hong Kong, na China. Mas, com a escola, têm a oportunidade de conhecer lugares menores.
Certa vez, quando estudavam sobre a vida em comunidade, foram de barco para uma vila a 30 minutos dali.
Nas datas comemorativas chinesas, todo mundo vai fantasiado. Depois das aulas, eles fazem outras atividades. "A gente tem futebol e mandarim [idioma falado na China]", conta Bruno. Outras opções são balé, judô, tênis e xadrez.

sábado, 20 de junho de 2009

Uruguai Natural






















Estive por duas vezes no Uruguai, ambas com meu irmão. A primeira foi em 1996 _inclusive, foi também o primeiro país estrangeiro que visitei _, e a segunda, em 2006. Gostei bastante de lá, e Cabo Polonio foi o destino preferido dentre os lugares que visitei. A matéria abaixo foi publicada no caderno Turismo , da Folha de S.Paulo, em 1º de junho de 2006.

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De acesso difícil, cercada por areia, península a 260 km da capital vive sem água corrente e eletricidade

Dunas protegem charme rústico de Cabo Polonio

MARIANA BERGEL
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA,
EM CABO POLONIO




















Ainda que não seja uma ilha, Cabo Polonio vive completamente isolada. Essa península, localizada a 260 km de Montevidéu, no distrito de Rocha, é cercada por dunas que alcançam até 30 m de altura. A natureza foi generosa ao dificultar o acesso a esse vilarejo de maneira tão charmosa. Descoberto por turistas há menos de 30 anos, Cabo Polonio ainda mantém sua aura primitiva: não há luz elétrica nem água corrente.
Mas o mais importante não é sentir o que falta, e sim o que sobra: noites estreladas iluminadas pela lua e pelo farol, paisagens dominadas pelo mar cheio de lobos e leões-marinhos, baleias e aves de todos os tamanhos e um tapete de areia que se estende pelas praias a perder de vista.
Em frente ao povoado, encontra-se um grupo de três ilhas, as islas de Torres, que constituem um dos mais importantes assentamentos de lobos-marinhos da América do Sul, além de abrigarem inúmeras gaivotas. Essas ilhas também são o lugar de reprodução dos leões-marinhos. Das rochas de Cabo Polonio é possível observá-los fazendo todo tipo de acrobacia na água, e, aos pés do farol, dezenas deles se esparramam sob o sol. À noite, os grunhidos dos animais são o único ruído que corta o silêncio desse pequeno refúgio.

Travessia
Chegar a Cabo Polonio requer uma pitada de espírito de aventura: distante 8 km da ruta 10- a única estrada que leva à região-, só é possível transpor o caminho de areia que cerca a entrada da península em automóveis 4x4, a cavalo ou até mesmo caminhando.
É proibido entrar com veículo próprio, por isso é preciso recorrer a camionetes especialmente adaptadas com rodas gigantes de uma das seis agências autorizadas a transitar no local. Há saídas de uma em uma hora, e o preço é fixo (120 pesos, cerca de R$ 11,50).
Para quem acaba de chegar, Cabo Polonio se mostra um pouco desordenado: não há ruas demarcadas ou qualquer característica que remeta a um centro urbano. As casas, que não somam mais de 150, têm poços de água, hortas e criação de galinhas e ovelhas. A maioria é de madeira ou pintada de branco. Todas estão espalhadas, sem ordem.
A população local é de apenas 70 pessoas, mas boa parte das casas é de veraneio e, por isso, ficam vazias durante meses. Sorte de quem as ergueu enquanto era permitido. Desde 1992, para proteger a riqueza natural da península, o governo proíbe qualquer tipo de construção na península.
Toda essa atmosfera faz de Cabo Polonio um segredo. Não chega a ser considerado um lugar turístico para muitos uruguaios e não aparece na maioria dos guias de viagem. É justamente esse seu encanto: ser um destino especial, aonde se chega porque alguém contou que esteve lá.


AGÊNCIAS - La Estrella del Cabo: 00/xx/598/99/87-0868; El Paraiso: 00/xx/598/99/63-5441
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Nome da península veio de naufrágios de embarcações

















Zona de costas rochosas e perigosas para a navegação, Cabo Polonio reúne uma quantidade considerável de naufrágios. Duas dessas tragédias disputam a origem do nome do lugar.
A primeira versão é a de que a denominação teria surgido em 1735, com um naufrágio da embarcação Polonio, proveniente de Cádiz, Espanha. A segunda teoria defende que um acidente com um navio contrabandista comandado por Joseph Polloni, poucos anos depois, teria sido o responsável pelo batismo.
Construído em 1880 pelos ingleses, o farol com 25 m de altura e 124 degraus tinha como objetivo advertir os marinheiros sobre o perigo da península e diminuir o alto número de desastres marítimos que ocorriam por lá. Em 1976, o farol se tornou monumento nacional.
Seguindo pela costa, as pedras cedem espaço a quilômetros de praias desertas: de um lado do farol está a praia de Calavera e, do outro lado, a praia Sur. A areia é dura, e o vento ameniza o calor, que durante o dia é escaldante, próprio do clima subtropical. No verão, a temperatura passa de 30C e, durante o inverno, pode chegar a 2C. As noites são sempre frias, mesmo nos meses mais quentes -em virtude dos fortes ventos vindos do Atlântico.
O pôr-do-sol é longo e tinge o céu dos tons mais variados. O espetáculo vem sempre acompanhado da coreografia dos grupos de gaivotas que sobrevoam a região.
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Comandado por um cego, bar em formato de labirinto merece visita

À noite, comércios e casas ganham um visual romântico, com velas penduradas nos tetos e espalhadas pelo chão. São comuns as reuniões em pequenos bares à luz de velas.
Entre eles, o mais curioso é o bar de Josuelo, um nativo de Cabo Polonio. O teto e as paredes são cobertos com os mais variados tipos de planta, o chão é de areia, e as mesas são dispostas em corredores que formam um labirinto. Cego há alguns anos, Josuelo conhece cada milímetro de seu inusitado estabelecimento.
As opções de hospedagem não são variadas. As melhores e com localização privilegiada são a pousada Mariemar e a hostería La Perla. Ambas ficam na praia Sur, e os preços variam de U$ 35 a U$ 50, com café da manhã. Contam com geradores, que oferecem luz por um par de horas.
Também é muito comum os viajantes alugarem casas de veraneio ou de moradores locais a preços negociáveis.

domingo, 7 de junho de 2009

Mercado Fonográfico outra vez

07/06/2009 - 02h30
Novas interfaces musicais provocam mudanças na cadeia de produção

MARIANA BERGEL
Colaboração para a Folha

Uma reviravolta no mercado fonográfico, decorrente da proliferação das novas tecnologias, fez com que as gravadoras mudassem seu modelo de negócios para se adaptar à uma nova realidade.

"De 1997 até o momento atual, ocorreu uma mudança radical no acesso à música, com a migração do mundo da música analógica para o universo da música digital, os hábitos de consumo da música são hoje totalmente diferentes", explica Marinilda Boulay, pesquisadora e organizadora das publicações "Guia do Mercado Brasileiro de Música" e "Música: Cultura em Movimento", além do site www.guiadamusica.org.

Depois de três anos de retração, houve um crescimento de 6,5% no mercado brasileiro de música, entre 2007 e 2008, de acordo com a ABPD (Associação Brasileira dos Produtores de Disco). O segmento movimentou R$ 359,9 milhões no ano passado. O mercado digital correspondeu a 12% das vendas, tendo um aumento de 79,1% em relação ao ano anterior. Desse montante, 78% vieram da telefonia móvel.

Como diferencial competitivo, as gravadoras estão, cada vez mais, ramificando sua área de atuação. Seja com estúdio de gravação, editora musical, produzindo música para videogames e trilhas sonoras ou digitalizando o conteúdo das obras. "Esse crescimento progressivo do segmento digital mostra que já vivemos o futuro do presente."

Clique aqui www1.folha.uol.com.br/folha/podcasts/ult10065u577342.shtml para ouvir o áudio da entrevista.

Mercado fonográfico

Esta matéria saiu hoje na Folha. Leiam, povo! E critiquem, façam sugestões, elogiem se for o caso... Bjooooooooo

NOVOS CANAIS

GRAVADORAS PEQUENAS DIVERSIFICAM ATIVIDADES

Independentes buscam novos negócios para ampliar faturamento


Rafael Hupsel/Folha Imagem



O músico Chico César, dono da Chita Discos, que fez parceria com grandes gravadoras para garantir distribuição














MARIANA BERGEL
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A ideia de crise no mercado fonográfico se repete como disco quebrado. Mas, enquanto lutam para aumentar a venda de CDs, as gravadoras apostam em diferentes canais para superar a estagnação.
Nessa toada, a área digital (telefonia móvel e internet), as associações com anunciantes, os licenciamentos, o agenciamento e a promoção de artistas são alternativas necessárias para alcançar bons resultados.
A transição é feita entre um modelo de negócio único de venda de suportes físicos e um multimodelo, destaca Paulo Rosa, presidente da ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Discos).
"O que era antes praticamente a única fonte de receita de um produtor fonográfico passa cada vez mais a dividir espaço e importância com outras fontes de receita derivada de música", acrescenta Rosa.

Pequenas

Nesse contexto, o espaço para as pequenas empresas vem crescendo. Na década de 1990, com a chegada das tecnologias digitais de gravação e a redução dos custos de fabricação dos CDs, surgiram centenas de gravadoras de menor porte. Até então, o mercado era constituído basicamente pelas companhias multinacionais, conhecidas como "majors".
Segundo a ABMI (Associação Brasileira de Música Independente), que tem 120 gravadoras associadas, há cerca de 200 gravadoras independentes no mercado, ou seja, que não estão listadas entre as "majors".
O papel das independentes no cenário é reconhecido pelas multinacionais. "Nunca se produziu tanta música quanto hoje. Essa profusão produtiva envolve os independentes em todos os lugares do mundo", afirma Sergio Affonso, presidente da Warner Music Brasil.
Segundo João Moreirão, vice-presidente da ABMI, as independentes são responsáveis por 80% da música gravada no país. Quando se fala de consumo, os números se invertem: 80% dos produtos comercializados são das "majors", e só 20% das vendas correspondem às gravadoras menores.

Parceria

Para dar vazão aos seus produtos, um dos caminhos encontrados por pequenas foi a parceira com "majors".
O cantor e compositor paraibano Chico César, 45, criou seu próprio selo, que também é estúdio e editora, a Chita Discos. "Uma "major" distribui melhor meu trabalho no mercado", conta César. Assim, ele é beneficiado com o investimento em marketing, na distribuição e na fabricação.

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FORMATO ÚNICO NÃO FUNCIONA

Quem não se adapta à realidade do mercado não consegue se manter no ramo fonográfico.
É o caso da gravadora independente Kuarup Discos. Após 31 anos no mercado, a empresa fechou as portas no final de 2008.
"A crise do CD é irreversível e tornou inviável nosso modelo de negócio", diz o ex-dono da Kuarup, Mario de Aratanha, 64.
"A empresa havia se verticalizado em direção ao disco e se afastou das outras fontes da cadeia produtiva da música", avalia.
Aratanha aproveitou sua experiência no setor e investiu na CineViola, que produz DVDs musicais.

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VENDAS DE CDS E DVDS REGISTRAM AUMENTO ENTRE AS GRANDES

Depois de três anos de retração, o mercado brasileiro de música teve um crescimento de 6,5% entre 2007 e 2008, de acordo com dados divulgados no mês passado pela ABPD (Associação Brasileira dos Produtores de Disco).
O número engloba receitas de vendas de CDs e DVDs, além da comercialização de produtos musicais no mercado digital (telefonia móvel e internet).
Foram contempladas nos dados apenas as dez gravadoras associadas à ABPD, que são cinco companhias multinacionais e cinco gravadoras independentes de grande porte. No total, o segmento musical movimentou R$ 359,9 milhões.
No Brasil, as vendas de produtos físicos (CDs e DVDs musicais) apresentaram um crescimento de 4,9%, enquanto as vendas no mercado digital subiram 79,1% em 2008, na comparação com 2007.
"Nós somos uma companhia de música. O que está em transição são os canais de distribuição, mas o conteúdo nunca foi tão valorizado", destaca Marcelo Castello Branco, "chairman" da EMI Music South America e presidente da EMI Brasil.

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LEVANTAMENTO

COMO OS JOVENS CONHECEM NOVAS MÚSICAS
Estudo da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) apontou que 32,6% dos cerca de mil jovens ouvidos em 2008 sempre conhecem música por meio da internet, em sites de download. Amigos (54,1%) e rádio (51,4%), no entanto, foram os mais citados como fontes com que sempre conhecem música nova.
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SEGMENTOS DIGITAIS ENGORDAM A RECEITA

Telefonia móvel e sites são canais para distribuição

O segmento da música digital representou 12% do mercado fonográfico em 2008. Dessa fatia, 78% (R$ 33 milhões) vieram da telefonia móvel, e 22% (R$ 9,68 milhões), da internet, de acordo com a ABPD.
"Artistas, gravadoras e editoras precisam de um formato de música que funcione no maior número possível de aparelhos", orienta Marinilda Boulay, pesquisadora e organizadora das publicações "Guia do Mercado Brasileiro de Música" e "Música: Cultura em Movimento".
A Trama criou sua fórmula para ampliar o número de fontes de receita. Além de fazer produção de shows, programas de rádio e de televisão, música para videogame, álbuns virtuais e CDs, a gravadora tem estúdio e editora.
"Com o patrocínio de anunciantes, é gerado faturamento nos álbuns virtuais", conta João Marcello Bôscoli, 38, fundador da Trama.

Celular

Por ser um setor em que os downloads são mais facilmente controlados, a telefonia móvel é hoje responsável pela maior fatia do faturamento no mercado digital da música.
A Takenet, que licencia e disponibiliza conteúdos musicais para celulares e atua com as principais operadoras do país, tem cerca de 200 contratos com gravadoras independentes, de acordo com Juliano Braz, diretor de operações.
"O faturamento com os "ringtones" pode ultrapassar R$ 100 mil por ano para independentes", aponta Braz.
O iMusica, empresa de gerenciamento de música digital, tem um acervo de 3 milhões de faixas, das quais 2 milhões são de gravadoras independentes. "Com um CD entregue pela gravadora, distribuímos para cerca de 200 serviços no Brasil e no mundo", afirma o presidente, Felippe Llerena. Em média, 80% do lucro é repassado para as gravadoras. O iMusica fica com 20%.
O MySpace, site que reúne 170 mil artistas brasileiros, deve criar, até o final do ano, um mecanismo de venda de faixas musicais. "Serve como popularização do artista e marketing e traz outros benefícios subsequentes, como a remuneração pelo direito autoral", explica Emerson Calegaretti, presidente do MySpace no Brasil.

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NA WEB

Benefícios de investir no mundo virtual

>> Ampliação das fontes de receita da gravadora

>> Vasta rede de distribuição de conteúdo no Brasil e no exterior, como iTunes, Amazon MP3, MSN Music e operadoras de celular

>> Conteúdo distribuído em várias plataformas

>> Controle sobre a distribuição de conteúdo digitalizado

>> Redução da pirataria

>> Expansão das lojas de varejo on-line e mais vendas legalizadas de música

>> Gerenciamento e distribuição de direitos autorais

>> Parceria com grandes operadoras de telefonia

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RAMIFICAÇÃO É DIFERENCIAL DE EMPRESA

Há dez anos no mercado fonográfico, a YB Music antecipou-se às dificuldades de sobreviver apenas do CD físico e, desde o começo, apostou em um modelo de negócios variado. "Não dá para sobreviver só com música. É preciso interagir o conteúdo com outras áreas", afirma Maurício Tagliari, 47, sócio-fundador da YB Music. A empresa faz licenciamentos internacionais, sincronização de som em mídias visuais e sonorização de videogames e possui selo, editora e estúdio.

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PIRATARIA

VENDA DE PRODUTOS ILEGAIS CRESCE 14%
Em 2008, o comércio ilegal no país somou mais de 41 milhões de CDs e DVDs piratas, um acréscimo de cerca de 14% em relação ao volume do ano anterior, de acordo com a APCM (Associação Antipirataria de Cinema e Música). Cerca de 48% do mercado fonográfico é de pirataria, e mais de 3.500 pontos de vendas já fecharam no país, segundo a APCM.

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CONSTITUIÇÃO

PROJETO DE LEI PROPÕE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA
Está em tramitação a Proposta de Emenda Constitucional nº 98/07, que determina a isenção de tributação sobre os fonogramas e os videofonogramas musicais de autores ou intérpretes nacionais produzidos no Brasil. De acordo com a PEC, os produtos estrangeiros -licenciados de outros países- não receberão o benefício.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Um novo mundo no meio do caos


















Em janeiro de 2004, depois de passar oito meses em Londres e um mês na Tailândia, decidi ir para a Índia. Queria acompanhar o Fórum Social Mundial, em Mumbai, e desbravar aquele lugar tão intrigante. A verdade é que ele se mostrou bem mais complexo depois de minha passagem por lá. Foram três meses com a mochila nas costas, sozinha, rodando do sudoeste para o noroeste do país. Os fatos vividos por mim foram diversos. Foi uma viagem difícil, mas que me ensinou a viver bem sozinha. O mundo externo a mim era tão exótico, que me reprimia em vários momentos. A cultura é diferente e os hábitos e costumes são totalmente peculiares. Amei a viagem, mas não acho que é para qualquer um encarar um país como aquele, especialmente sozinho, sendo mulher e branca-azêda como eu. Fui raçuda, confesso. Mas tudo o que vivi e cresci na viagem, além de ter tido a honra de estar próxima do Dalai Lama e do Gilberto Gil nessa mesma trip, fizeram dela um momento inesquecível. Segue uma matéria que foi encomendada como editorial da Carta Capital (que descartou o texto com extremo descaso, pois ele foi substituído por algum babado novo do Daniel Dantas e eles acharam o tema prioritário). O texto foi publicado na revista Jungle Drums (www.jungledrumsonline.com), uma publicação brasileira bilíngue bem bacana feita em Londres. Ela fala mais especificamente sobre o Fórum. Mais adiante reproduzo outras do mesmo destino.

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Um novo mundo no meio do caos


Direto de Mumbai, na Índia, a repórter da JungleDrums Mariana Bergel descreve a atmosfera e o que aconteceu no Fórum Social Mundial

Texto e fotos de Mariana Bergel (matéria publicada na revista Jungle Drums, em fevereiro de 2004)











Visitar a Índia com certeza vai muito além de apenas uma aventura em um país exótico. Ao sair do aeroporto internacional, em Mumbai, é impossível evitar o contato direto com uma realidade dura e desumana. O cenário é caótico: barracos e mais barracos, pedintes, um trânsito completamente maluco e uma grossa névoa de poluição. À noite, impressiona ver o número de pessoas dormindo nas ruas. Com 18 milhões de habitantes, a cidade consegue reunir todos os problemas urbanos do mundo. Para os participantes do IV Fórum Social Mundial, que aconteceu em Mumbai entre 16 e 21 de janeiro, o slogan "um outro mundo é possível" ganhou a urgência de se buscar alternativas que possam transformá-lo em realidade.

A sede do Fórum (uma fábrica desativada) transformou-se em um grande espetáculo de sons, cores e cheiros e reuniu mais de 100 mil pessoas de 141 países, das quais pelo menos 500 eram brasileiros. Grupos de vários lugares do mundo, principalmente da Ásia, circulavam para cima e para baixo tocando tambores e colorindo o ambiente com roupas tradicionais, como turbantes, saris e trajes tibetanos. Quando os grupos se encontravam nas encruzilhadas, era um festival de danças e gritos de ordem. Essa era a voz dos excluídos para mostrar sua indignação e para quem o aperto de mão foi uma das linguagens mais praticadas.

O significado desse gesto foi ainda maior para os chamados intocáveis, também conhecidos como Dalits, grupo mais oprimido no sistema de castas que hierarquiza a sociedade na Índia. Entre a população do país, que já passa de 1,2 bilhão, eles representam quase 200 milhões. O Fórum mostrou a essas pessoas a possibilidade de conquistar dignidade, exemplificada nas palavras de uma jovem Dalit de 16 anos: "A gente veio para lutar pelos nossos direitos; saímos daqui com a sensação de que agora a gente pode fazer qualquer coisa". Neste Fórum os excluídos deixaram de ser um assunto debatido pela elite intelectual-política e compareceram em massa, vindos de diferentes regiões do continente.

Diferente do que aconteceu nas outras edições, em Porto Alegre, a estrutura do Fórum não contou com nenhum apoio governamental ou partidário. Através de doações de entidades, tendas e salas foram construídas com madeiras, cordas e panos, dando um ar de improviso que denunciava a falta de recursos.

A dignidade e os direitos humanos, a questão da Palestina, a crise da OMC, a privatização de recursos vitais como a água, a proposta de reformar a ONU e o FMI foram os principais temas entre os mais de mil debates e palestras.

É fato que a participação popular esteve muito mais consistente e ativa. Claro que isso não garante o fortalecimento da sociedade civil como um agente que possa realmente trazer mudanças. Mas há de se acreditar, como os Dalits, os tibetanos e todos os outros envolvidos, que, desde que existam ações práticas para dar continuidade ao desenvolvimento das propostas, as mudanças são possíveis.


Para nao dizer que nao falei das flores












A questão ambiental esteve longe de ser um dos temas mais abordados no IV Fórum Social Mundial. A privatização de recursos naturais (especialmente a água) por empresas multinacionais até foi bastante discutida, mas a questão do aquecimento global e outros temas fundamentais relacionados ao meio ambiente não tiveram destaque merecido na pauta do Fórum.

Para Lisângela Araújo, diretora nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), informação é essencial na luta pela preservação do meio ambiente. "Os movimentos ambientalistas estão ganhando força, mas falta informar melhor a população sobre coisas básicas", diz.

Francisco Whitaker, do Comitê de Organização do Fórum, concorda que faltou abordar mais a questão ambiental no evento, mas disse que os temas foram votados. "Não se pode falar em desenvolvimento social sem levar em conta o impacto ambiental", ressaltou.

Uma das soluções que seguem essa idéia e tiveram destaque no Fórum é a criação de eco-vilas, uma das mais efetivas alternativas para o desenvolvimento sustentável. Essas comunidades auto-sustentáveis, que reúnem de 50 à 2 mil pessoas, começaram a entrar em cena principalmente na ultima década. As eco-vilas criam um ambiente social positivo com o uso de tecnologias de baixo impacto ambiental, a produção de alimentos sem agrotóxicos, o tratamento do esgoto e do lixo de maneira e a criação e proteção de reservas naturais.